quarta-feira, 24 de maio de 2017

casamento à caipira

Padre
Povo desta minha terra,
Presente neste arraiá,
As famía tão em festa,
Duas moça vai casá.

Os noivo são descendente
De gente tradicioná,
Herdeiro de mais da metade,
Das terra, deste lugá.

As noiva, moças prendadas,
Bunitas e inteligente,
Representam com certeza
A beleza da nossa gente.

Aqui estão convidados
A nossa sociedade:
Coroné Ademi Jado
E o Delegado da cidade.

Zé da farmácia e Venância,
Seu Paulo com Dona Bia.
O Seu Arif, da venda,
Júlio da sapataria.

Marinalva a professora,
Rob Chado do jornal.
 Mabu Raquel do correio
Dr. Carlos do hospital.

Não tá faltando ninguém,
Pra esse evento animado,
Mas Seu Bento me responda,
Por que é que tá armado ?


Seu Bento
Seu vigário, me adisculpe,
É feio o meu procedê,
Não confio nesse cabra.
Ele casa, ou vai morrê !


Padre
E a Sinhora, Sá  Cadoca,
Com vistimenta tão bela,
Inda que eu má lhe pregunte:
Prá que é essa panela ?

Sá Cadoca
Não é pra um casamento
Que nós tá arreunido ?
Prá popá tempo e trabáio
Eu já truxe arroiz cuzido.

Padre
Seu Lobim todo  bunito,
De terno novo, engomado.
Ih !Mas tá com os pé no chão
E o sapato pindurado,,,


Seu Lobim
Sô Vigário eu sõ um home
De força, garra e empenho,
A butina tá apretada
Mas mostro ao povo, que tenho.


Padre
Dona Espináfria Alcachofra
Chegô doida esbaforida,
Botano os bofe prá fora,
Parece que foi currida...


D. Espiná
fria
Pois sô Vigário eu lá vinha,
Cum minha fia e cumade cá dela,
Boi brabo solto no pasto
Correu cum eu e cum ela.



Padre
Oi, tá chegano o prefeito
Com a premera dama do lado.
Vamo dá salva de palma
Ao Seu Sades Cabelado !!!


Seu Sades
Muito obrigado meu povo,
Pela consideração.
Quero saber a que hora
É que começa a começão.


Padre
Meus sinhores e sinhoras
Que aqui presente estão,
Vão casá Chica Dengosa,
Cum Pedrinho Fuguetão.

Pra fazê economia,
Que os preço tão disparado,
Também casa Lia Cherosa
Com o jove Juca Gado.

Se o pessoá aqui presente,
Subé qui num posso, intão
É favô dizê prá gente
Pois ansim num caso não.

Mas o povo tá calado,
E se o povo se calô,
Vô fazê o casamento
Conforme se anunciô.

Ocê Chiquinha Dengosa,
Aceita de coração,
Prá marido toda vida,
O Pedrinho Fuguetão ?




Chiquinha
Mas que pregunta isquisita
Sô Vigário fáiz pra mim,
Se eu vim aqui cum Pedrinho,
Num foi prá dizê que sim ?




Padre
Muito bem, e ocê Pedro
Que me óia ansim todo prosa,
Qué mesmo prá sua esposa
Sinhá Chiquinha Dengosa ?


Pedrinho
Num haverá de querê ?
Tenho feita opinião:
Chiquinha é a Frô mais formosa
Que vive neste sertão.


Padre
E ocê Lia Cherosa
Também aceita casá
Com o jove Juca Gado
Pra amá e respeitá ?


Lia
Craro que aceito sô Padre,
Tenho gosto em lhe dizê
Juca Gado é a alegria
Que chego pro meu vivê.


Padre
Juca Gado, meu amigo
Se ocê se  arrependê,
O povo já tá reunido,
E nós interra ocê.


Juca
Eu digo sim e sem medo
Por causo que a gente se ama.
Lia é o doce que me adoça
Meu mel de cana caiana.


Padre
Intão, em nome do cravo
E no do manjericão,
Caso Chiquinha Dengosa,
Cum Pedrinho Fuguetão.



Em nome da flor do campo,
Do céu lindo e estrelado,
Eu caso Lia Cherosa
Com o famoso Juca Gado.


Lia
Eu criatura de Deus,
Te aceito com fervor.


Juca
Para ser parte de mim
Se apossar do meu amor.


Chiquinha
Assim como o rio parte
E busca as águas do mar,


Pedrinho
Nossas almas se encontraram
E sempre juntas vão estar.


padre
Podem ir, estão casados.
Vamo gente, forrozá !!!




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